ASTER
← Todos os artigos

Gestão, margem e números

Quanto uma empresa de energia solar realmente lucra por obra

A margem de uma obra solar fica entre 7% e 22% (estimativa de mercado), e some no caminho. Veja como calcular o resultado real de cada instalação e onde o lucro escapa.

João Ricardo SomensiEngenheiro Eletricista

6 min de leitura

Gestão, margem e números

Resposta curta: entre 7% e 22% do valor da obra, por estimativa de mercado. Só que a maior parte das empresas não sabe em qual ponta dessa faixa está. O dono faz o orçamento, visita o cliente, passa na obra, e o dinheiro fica para a planilha, somado por mês, não por obra. A diferença entre as duas contas é o que separa quem escolhe o que vender de quem aceita o que aparece.

Numa obra residencial de R$ 32.000, isso significa entre R$ 2.300 e R$ 7.000. E é dentro dessa faixa estreita que cabem todos os imprevistos da execução, que quase nunca chegam à planilha: quem anotaria está, como a gente ouve de quem toca uma empresa de energia solar, “sempre saindo para atender os clientes”.


De onde vem essa faixa

A composição de custo de um sistema de 6,6 kWp em São Paulo, a R$ 32.000, distribui assim:

ComponenteValor%
Painéis (12 × 580 Wp)R$ 9.60030%
Mão de obra de instalaçãoR$ 6.50020,3%
InversorR$ 4.20013%
Cabeamento, string box, proteçõesR$ 2.7008,5%
Homologação e acompanhamentoR$ 2.5007,8%
EstruturaR$ 2.4007,5%
Projeto elétrico com ARTR$ 1.8005,6%
Margem do instaladorR$ 2.3007,2%

Fonte: CustoSolar, com base no Informe Solar 2026 da ABSOLAR. Outra leitura do setor situa a margem comercial entre 15% e 22% para sistemas residenciais de 5 kWp: a diferença depende de porte, região e de comprar bem.

E a faixa está encolhendo: o kWp, na média nacional, caiu de R$ 5.500 a 6.500 em 2022 para R$ 4.500 a 5.500 em 2026, e em vários estados a disputa já leva o preço bem abaixo disso.


Por que o resultado do mês esconde o problema

O resultado do mês é uma média. E média esconde exatamente o que você precisa ver.

Um exemplo com números redondos. Quatro obras no mês, R$ 30.000 cada:

ObraMargem previstaO que aconteceuMargem real
A, residencial, cidadeR$ 4.500Tudo certoR$ 4.500
B, residencial, cidadeR$ 4.500Tudo certoR$ 4.500
C, rural, 120 kmR$ 4.500Duas viagens extras, vistoria reprovadaR$ 900
D, comercialR$ 4.500Desconto de 8% para fecharR$ 2.100
MêsR$ 18.000R$ 12.000

O dono vê R$ 12.000 e acha que foi um mês razoável. O que ele não vê é que a obra C trabalhou de graça e que o desconto da D custou R$ 2.400, e que, se ele parar de vender obra rural sem ajustar preço, o mês seguinte melhora sozinho.

🔑 É por isso que “quanto sobrou nessa obra” é a pergunta mais importante que existe numa empresa de energia solar.


Onde a margem escapa

Cinco furos, em ordem de tamanho:

1 · O desconto dado na hora de fechar

Um desconto de 8% numa obra com margem de 7,2% não reduz o lucro: ele elimina. E costuma ser dado por quem não tem visibilidade da margem: o vendedor.

2 · A viagem extra

Equipe deslocada custa diária mais combustível mais o dia que ela não passou em outra obra. Em obra fora da cidade, duas viagens extras já comem a margem inteira.

3 · A vistoria reprovada

Equipe volta, prazo estica, parcela final adia. É o retrabalho mais caro da operação, e o motivo mais comum: equipamento instalado diferente do projeto aprovado: é totalmente evitável.

4 · O material que sumiu do estoque

Painel e inversor são caros e desvalorizam. Material reservado para uma obra e consumido em outra gera compra nova, e a compra nova entra no custo de alguma obra: geralmente da errada.

5 · A hora de escritório que ninguém conta

Refazer a proposta três vezes, montar o contrato à mão, correr atrás da documentação da homologação. Não vira nota fiscal, mas vira folha de pagamento.


Como calcular o resultado de uma obra

Faça com a última obra que você entregou. Leva vinte minutos:

LinhaComo levantar
ReceitaValor do contrato, depois do desconto
(−) EquipamentoO que efetivamente saiu do estoque para ela
(−) Mão de obraDias de equipe × custo/dia, contando as voltas
(−) DeslocamentoCombustível, pedágio, diária
(−) Projeto e ARTO que foi pago
(−) HomologaçãoTaxa mais horas de quem acompanhou
(−) ImpostosSobre aquele faturamento
(−) Rateio de estruturaAluguel, administrativo, comercial ÷ obras do mês
= Resultado da obra

A última linha é a que quase ninguém inclui, e ela muda o sinal do resultado. Se a sua estrutura custa R$ 20.000 por mês e você faz 8 obras, cada obra carrega R$ 2.500, que é mais que a margem inteira do exemplo lá em cima.


O que fazer com o número

Depois de calcular cinco ou seis obras, o padrão aparece sozinho. E aí você tem decisões concretas:

  • Que tipo de obra parar de vender, ou vender com outro preço
  • Qual raio de atendimento ainda compensa
  • Quanto de desconto o vendedor pode dar sem virar prejuízo
  • Quantas obras por mês você precisa só para pagar a estrutura

🔑 Repare que nenhuma dessas decisões precisa de mais vendas. Todas melhoram o resultado com o mesmo volume, e é por isso que este é o número de maior retorno da operação.


Como sair da planilha para o automático

Fazer essa conta à mão para uma obra é viável. Para todas, todo mês, não é, e é aí que ela para de ser feita.

O que um sistema precisa ter para automatizar:

  • Centro de custo por obra ou por tipo de obra, para o resultado sair separado
  • Consumo de material vinculado à obra, não ao bolo comum
  • Desconto controlado por permissão, para a margem não escapar na venda
  • DRE gerencial por competência, com visão por centro de custo

Perguntas frequentes

Qual margem é saudável para uma empresa de energia solar? Não existe número único: depende de porte, região e mix. O que existe é uma regra: se você não sabe a sua, é provável que esteja na ponta baixa da faixa.

Devo incluir o meu pró-labore no custo? Sim. Se você executa trabalho na obra, esse custo existe mesmo que você não retire.

Como rateio a estrutura? O jeito mais simples é dividir o custo fixo mensal pelo número de obras entregues no mês. Imperfeito, e infinitamente melhor que não ratear.

E se a obra der prejuízo? Registre. Obra com prejuízo registrada é aprendizado; obra com prejuízo diluída na média do mês se repete no mês seguinte.


O próximo passo

Escolha a última obra que você entregou e preencha a tabela acima. Se você não conseguir levantar três das linhas, esse já é o diagnóstico, não é falta de tempo, é que o dado não existe na sua operação.

O Aster é um ERP feito exclusivamente para empresas de energia solar, com DRE gerencial por centro de custo, consumo de material vinculado à obra e controle de desconto por permissão.

Agende uma demonstração e veja o resultado de uma obra calculado pelo sistema.


Fontes

  • ABSOLAR, Informe Solar 2026 · ANEEL · composição de custo de sistema fotovoltaico residencial, 2026
Fale com o time